16/03/2012 - Edição 1563
Sem iluminação, sujo e com as grades de proteção quebradas, o chafariz situado próximo à churrascaria e pizzaria La Bonne, na Estrada do Galeão, se tornou moradia para um mendigo. Com a porta de ferro que dá acesso à parte interna do chafariz aberta, o morador de rua aproveitou para se instalar com um colchão e outros objetos como livros velhos, uma vassoura e artefatos que ele usa para decorar o local.
Com o abandono do equipamento público, outros moradores de rua já utilizaram o chafariz para dormir, contudo, quem passa próximo ao local se choca com o comportamento do novo morador. "A primeira vez que eu o vi, foi num dia pela manhã, ele estava lendo um livro sentado com a porta do chafariz aberta. Ele age como se estivesse na sua própria casa. Seria uma piada se não fosse tão trágico para a Ilha", conta a moradora do Village, Maria Helena.
Os chafarizes foram construídos durante o projeto Rio Cidade I, na gestão do ex-prefeito Cesar Maia. Com as queixas dos moradores sobre o abandono dos obeliscos, o primeiro chafariz, que fica na Portuguesa, recebeu uma manutenção com a limpeza e reinstalação da iluminação. No mês passado, o funcionamento com a água também voltou ao normal. Em visita à Ilha, no início de sua gestão em março de 2010, o Secretário de Conservação, Carlos Alberto Osório garantiu em matéria para o Ilha Notícias que a limpeza do segundo obelisco seria realizada, mas até o momento nenhuma providência foi tomada. Para o advogado Silvio Fontes, que mora no Moneró, a Secretaria de Conservação tinha que agir junto com a de assistência social.
– Uma simples manutenção periódica evitaria esse transtorno, mas a situação só está piorando com pichações, ladrilhos quebrados e a invasão dos moradores de rua. Não entendo porque quando a manutenção do primeiro chafariz foi feita, eles ignoraram esse. O obelisco conservado com as grades respostas, limpeza em dia e com as luzes acesas já dá outro aspecto ao local. Em relação aos moradores de rua a assistência social tinha que agir mais dentro do bairro. Não adianta recolhê-los no abrigo e não dar uma condição de vida para eles – opina Silvio.
Para o contador Renato Gomes demolir o chafariz e reprimir os moradores de rua também não é uma boa solução. "Depois de ver o primeiro chafariz limpo, mudei de ideia quanto a demolir o chafariz, mas acho inaceitável que esta situação de abandono total continue e não adianta vir aqui e retirar o mendigo sem fazer uma manutenção imediata", reclama. Procurada pelo Ilha Notícias, a Secretaria de Conservação informou que ainda não tem uma data para que a restauração do chafariz seja feita. Uma pena!