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Águas do Rio eleva contas na Ilha

Síndicos denunciam aumento no valor do fornecimento de água


07/11/2025 - Edição 2275

Proprietários de salas comerciais reclamam do método que prevê cobrança, mesmo com imóvel sem uso
Proprietários de salas comerciais reclamam do método que prevê cobrança, mesmo com imóvel sem uso

Síndicos e comerciantes da Ilha têm denunciado um aumento expressivo nas contas de água após a aplicação de um novo entendimento jurídico adotado pela concessionária Águas do Rio. A mudança, baseada em recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), alterou a forma de cobrança em condomínios com hidrômetro único, o que vem provocando impactos significativos no orçamento de prédios comerciais e residenciais da região.

Pela nova metodologia, a concessionária passou a calcular a tarifa mínima de consumo multiplicando o valor por cada unidade existente no condomínio no sistema conhecido como “mínimo multiplicado pelas economias”. Assim, mesmo que o consumo real medido pelo hidrômetro seja inferior, o valor cobrado é o da soma das tarifas mínimas de todas as unidades.

Na prática, isso tem feito com que contas que antes giravam em torno de R$ 1 mil ultrapassem facilmente os R$ 7 mil. A síndica Rosalva Padilha, que administra um prédio comercial na Estrada do Galeão, relata que a medida pegou os condôminos de surpresa.

— Ganhamos uma liminar que garantia o pagamento pela leitura do hidrômetro, o que é justo, pois o consumidor deve pagar pelo que usa. Mas essa decisão foi revogada e agora voltamos a pagar o valor mínimo multiplicado pelas economias. Nossa conta saltou de R$ 1.200 para quase R$ 7 mil. É inviável — desabafa Rosalva.

A decisão do STJ, revisando o chamado Tema 414, prevê que cada unidade de um condomínio com hidrômetro único deve arcar com uma tarifa mínima fixa, além de uma parcela variável, caso o consumo total exceda a franquia. No entanto, a interpretação adotada pela concessionária tem causado indignação.

O síndico Harley Davidson, do edifício Ofir Empresarial, na Estrada da Cacuia, afirma que o aumento foi imediato e que tenta dialogar com a empresa. “A Águas do Rio elevou nossa conta de R$ 965 para R$ 8.635, alegando respaldo jurídico. Estou tentando negociar, mas sei que é paliativo. Precisamos formar um comitê entre os prédios comerciais da Ilha para enfrentar isso”, propôs o gestor.

A Águas do Rio informou, em nota, que segue estritamente as diretrizes definidas pelo STJ e pelas agências reguladoras, e que as tarifas refletem o custo operacional do sistema e a disponibilidade do serviço.