15/05/2026 - Edição 2302
É impressionante quando temos em uma região um monumento ou prédio histórico para nossa contemplação e identificação. Sabemos que esses locais são muito importantes para gerar pertencimento e memória.
Quando falamos do bairro da Freguesia sempre lembramos espaços que marcaram época: Tabuão, Don Franguito, Pizzaria Brotinho, Estúdio 303, Pizzaria Cinderela, bares com sinuca, patinação no Roller Green, Hotel Miramar, dentre outros espaços que até hoje são parte da nossa história insulana.
E de frente à Praia está o prédio mais antigo de pé da Ilha, com sua construção inicial em 1710, porém antes era uma antiga ermida (capelinha) que cresceu e foi sendo ampliada. Em 1743 ela chegou a sua forma completa. É a igreja de Nossa Senhora da Ajuda.
Ela foi construída por mão-de-obra diversa: nativos, africanos e colonos caiçaras e descendentes de portugueses que eram católicos devotos. Ela se tornou a primeira paróquia na Ilha e as igrejas que foram surgindo depois foram suas capelas. Por muito tempo o cemitério oficial da Ilha era no seu entorno, até 1903.
Ao longo de sua história o templo passou por incêndios, ataques como a Revolta da Armada, ação do tempo com a maresia e isso gerou muita destruição da sua parte interna e objetos sacros. Contudo, sua estrutura externa se manteve em pé. No final do século XIX ela sofreu uma grande reforma, concluída em 1900 com a ajuda do Barão de Capanema - que dá nome a uma Rua no Tauá e nomeia a praia entre o Cocotá e a Freguesia.
Em 1938 a igreja foi tombada pelo IPHAN e passou a ser mais preservada com cuidado e carinho. Novamente ela precisou de reformas ao longo do século XX e ficou fechada por longos períodos por conta disso. A antiga Ponte de atracação e os bondes, por muito tempo, estiveram junto dela. Eles se foram, mas a igreja não.
Nos últimos anos ela novamente sofreu com diversos problemas e os padres enfrentavam dificuldades em conseguir recursos para a sua restauração. Nesse ano de 2026, enfim, chegou a ajuda financeira e o templo começou a ser reformado sob a gestão do pároco Diogo Espagolla.
Nessa sexta-feira, dia 15 de maio às 19h ele será reaberto ao povo da Ilha e terá também uma pequena exposição com fotos com a ajuda da equipe do Museu da Ilha e outras curiosidades da igreja. Teremos a presença do Cardeal Arcebispo do Rio e outras autoridades.
É uma igreja do século XVIII que poucos locais na cidade do Rio de Janeiro possuem. Ela é um patrimônio insulano há mais de 300 anos não só para os católicos, mas para a toda a Ilha.