Notícias

Por que a "Cova da Onça" tem esse nome?

O local teria sido um habitat de onças temidas pelos moradores


Por Juberto Santos

13/03/2026 - Edição 2293

Casa na Cova da Onça onde morou a escritora Raquel de Queiroz, na década de 40
Casa na Cova da Onça onde morou a escritora Raquel de Queiroz, na década de 40

A região conhecida como “Cova da Onça” está localizada entre os bairros do Tauá e Cocotá e o único local onde essa expressão aparece visível aos moradores é no nome da lotérica local. A escritora Rachel de Queiroz residiu por muitos anos na região (hoje, há uma vila no local de sua antiga casa) e em seu livro “Galo de Ouro” há muitos relatos da Ilha do Governador.

Até a década de 1950, a paisagem insulana era de morros ainda pouco habitados, muitas áreas de matas, poucas casas, pouca iluminação e ruas ainda sem pavimentação. A Avenida Paranapuã, por exemplo, somente em 1948 passou a ganhar forma e estrutura.

Infelizmente muitos fatos da história da Ilha carecem de fontes textuais e iconográficas (imagens) e são os relatos de antigos moradores que, muitas vezes, contribuem para o entendimento de diversos aspectos do passado insulano, através do testemunho oral. É importante frisar que esse fato em especial ainda está sendo pesquisado para conseguirmos uma resposta mais robusta, contudo, abaixo trago algumas possíveis narrativas sobre a origem do nome “Cova da Onça”:

— Há relatos de moradores antigos que passaram a se referir a essa área como “cova” por ser espremida entre o Cocotá e o Tauá, dificultado um referencial. Assim, a área foi apelidada da mesma forma que em outras áreas da cidade por “buraco” “suvaco” “beco”, etc.

— Outra interpretação afirma que os morros do Querosene e do Barão possuíam onças e eram vistas e temidas por moradores locais, ali seria onde elas ficavam. Há relatos importantes sobre as onças na Ilha, como de Jean de Léry, em 1580.

— A área seria um grande habitat dos famosos Gatos Maracajás onde tinha uma gruta com forte presença dos felinos e eles eram muito confundidos com onças por sua pelagem.

— Antes da existência de hospitais na Ilha, os médicos atendiam em suas próprias casas ou iam às casas dos pacientes. Ali teria morado um importante médico e ele teria adquirido um filhote de onça pintada e cuidava como um pet. Quando os pacientes iam a sua casa diziam ir na “Casa da Onça”, na “Cova da Onça”.

— O local pode ter sido um dos cemitérios indígenas na Ilha e daí o termo “cova” ter ganhado visibilidade ao longo do tempo.

Mesmo sem existir ainda uma análise final sobre essa nomenclatura, é importante lembrar que a memória é uma importante fonte histórica e que a história oral possui uma função essencial para pesquisas de personalidades, patrimônios e territórios entre outros temas.

Você possui fotos antigas da região da Cova da Onça? De outros locais da Ilha? Pode contribuir com essa pesquisa com alguma fonte ou relato? Entre em contato com nosso Instagram: @roledailha8 ou envie um e-mail para: historiador_ufrj@yahoo.com.br (Juberto Santos).