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Ponta do Tiro completa um século

No local, alunos de uma antiga escola hasteavam a bandeira e cantavam o hino nacional


27/09/2019 - Edição 1956

A pequena fortificação e o canhão são as atrações do local construído em 1919
A pequena fortificação e o canhão são as atrações do local construído em 1919

O lugar conhecido como Ponta do Tiro, localizado na Praia da Bandeira, oferece uma bela vista para a parte interna da Baía de Guanabara e provoca a curiosidade dos visitantes, pela presença de um antigo canhão. A área que foi construída em 19 de novembro de 1919 para ser um local de comemorações do Dia da Bandeira e outros eventos cívicos dos alunos da 8ª Escola Mista está prestes a completar 100 anos de existência.

O responsável por construir a réplica de uma pequena fortificação, tendo ao lado um mastro com o pavilhão nacional, foi o Major Dias Jacaré, um dos mais ilustres moradores da região da Praia da Bandeira. Na época ele contou com ajuda da Loja “Park Royal”, que contribuiu com doações e da Light, que foi a empresa responsável por erguer um poste com cinco metros de altura. Durante muitos anos, as águas limpas e a grande extensão de areia da praia era uma atração de lazer para grande parte da população da Ilha.

No local também há o famoso canhão em ferro fundido, que, de acordo com relatos de moradores antigos do bairro, foi abandonado na região da Freguesia por ocasião da Revolta da Armada, ocorrida em 1893. O artefato foi trazido para a Praia da Bandeira na década de 1930 pelos Magiolli, importante família que morava na região. O canhão chegou até ser levado para uma pilha de sucata que foi montada na Ribeira, mas os moradores na época, acostumados com monumento fizeram questão de trazer novamente e colocar no seu antigo suporte.

Depois que fundado, o monumento da Ponta do Tiro recebeu reformas em 1995 quando novamente foi instalado um mastro, já que o primeiro havia se desgastado por ação do tempo. Atualmente o mastro não existe mais e a fortificação onde ficam os muros de proteção do forte estão pichados e o canhão precisa de reparos.

— Um local como este precisa ser preservado. Faz parte da nossa história. É uma pena ver como está ficando. Seria legal e importante ver novamente um mastro com a bandeira nacional, lembrando o território como Praia da Bandeira, como sempre foi. Quem sabe um dia — comenta a aposentada Maria das Dores, que mora nas proximidades da Ponta do Tiro.