08/05/2026 - Edição 2301
Circular a pé por diversos pontos da Ilha do Governador tornou-se um exercício diário de atenção, paciência e, muitas vezes, coragem. Em uma região que reúne bairros tradicionais, importantes centros comerciais e grande circulação de moradores, o simples ato de caminhar já não oferece a segurança e o conforto mínimos que deveriam ser garantidos ao cidadão.
As calçadas, em muitos trechos, revelam um cenário de abandono difícil de ignorar. Buracos, desníveis, pedras portuguesas soltas e obstáculos espalhados transformam percursos curtos em verdadeiras provas de resistência. Idosos, pessoas com deficiência, mães com carrinhos de bebê e até quem apenas tenta atravessar a rua convivem diariamente com o risco de quedas e acidentes.
Mas o problema vai além da precariedade urbana. A expansão acelerada dos serviços de entrega por motocicletas trouxe também uma perigosa inversão de espaço. Em várias áreas comerciais da Ilha, motos avançam sobre calçadas e faixas de pedestres numa rotina marcada pela pressa e pela falta de fiscalização. O pedestre, que já deveria ser prioridade no trânsito, passou a disputar espaço justamente onde deveria estar protegido.
Nem mesmo a travessia nas faixas de pedestres oferece tranquilidade. Motocicletas surgem entre carros, avançam sinais e impõem ao cidadão uma sensação permanente de vulnerabilidade. O medo de ser atropelado deixou de existir apenas nas grandes avenidas e passou a acompanhar quem simplesmente tenta caminhar pela vizinhança e atravessar uma rua.
A ausência de civilidade no trânsito revela um problema que não pode ser tratado como algo menor. A qualidade de vida de uma região também se mede pela forma como ela acolhe quem anda a pé. E hoje, infelizmente, muitos trechos da Ilha parecem hostis justamente para o ser humano, parcela mais frágil e desprotegida da mobilidade urbana.
A opção do transporte pelas barcas
Compartilha: Cuidar de quem cuida
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