Opinião

Opinião – José Richard

Transporte marítimo


06/02/2026 - Edição 2288

O transporte marítimo de passageiros entre a Ilha do Governador e o Centro, na Praça 15, é ruim. Trata-se de um serviço estratégico, subaproveitado e tratado com visível descaso pela empresa concessionária, sob a complacência do governo do Estado, poder responsável pela concessão e pela obrigação de fiscalizar a qualidade do serviço prestado.

Hoje, os moradores da Ilha convivem com uma oferta de horários absolutamente insuficiente: apenas três viagens de ida pela manhã e três de volta no período da noite. Essa limitação transforma um modal eficiente, rápido e confortável em uma alternativa inviável para quem precisa se deslocar ao longo do dia para trabalhar, estudar, resolver questões de saúde ou compromissos profissionais no Centro e proximidades. O resultado é previsível, sobrecarga no sistema viário, engarrafamentos constantes, ônibus lotados e mais tempo perdido no trânsito.

É evidente que, se o serviço funcionasse de forma contínua, entre 6h e 20h, com saídas regulares ao longo do dia, a demanda seria expressiva. A barca deixaria de ser apenas uma opção eventual para se tornar uma solução real do sistema de mobilidade urbana, reduzindo congestionamentos, oferecendo mais segurança e melhorando a qualidade de vida dos insulanos.

Causa espanto que, com o passar dos anos, os responsáveis pelo transporte público marítimo permaneçam inertes diante dessa realidade. A Baía de Guanabara está aqui, oferecendo uma rota marítima natural privilegiada, enquanto a população da Ilha do Governador segue encurralada entre o mar e dependente unicamente do sistema rodoviário que sujeita diariamente os usuários de ônibus a viagens lotadas, congestionamentos e, muitas vezes, aos perigos dos trajetos principalmente à noite.

De modo incompreensível, faltam ações concretas para modernizar e ampliar o nosso sistema de transporte público através das barcas. É um direito da população e persistir na omissão é aceitar que a vida dos moradores seja cada vez mais difícil, mesmo quando a solução está literalmente à frente, navegando em águas ignoradas por ações dos responsáveis pelo transporte por barcas.