23/01/2026 - Edição 2286
A mobilidade urbana é um sistema que precisa de medidas para ser atualizado ao desenvolvimento da Ilha do Governador. A região cresceu, se adensou, diversificou seu perfil econômico e populacional, mas continua presa a modelos de transporte de uma realidade que ficou no passado.
Se a Ilha não fosse, literalmente, uma ilha, obviamente não teríamos a opção do transporte marítimo que é um privilégio, embora subutilizado e mal explorado. Durante muito tempo as barcas foram o principal meio de ligação entre a Ilha e o Centro da cidade para o transporte de passageiros cujo destino era outras regiões do município. Funcionavam com regularidade, transportavam milhares de trabalhadores e ajudavam a aliviar o trânsito.
Hoje, ao contrário, os moradores enfrentam engarrafamentos, ônibus superlotados, viagens longas, calor insuportável e, em dias de chuva virou rotina a cena quase surreal de passageiros abrindo guarda-chuvas dentro de coletivos que circulam em péssimo estado. Enquanto isso, o serviço de barcas piorou e se limita a apenas três horários pela manhã e três à noite. Esse o retrato da atualidade.
Mobilidade urbana não é algo estático. Exige revisões periódicas, considerando o crescimento populacional, a criação de novos polos comerciais, conjuntos residenciais e a mudança no perfil dos deslocamentos.
Nas últimas cinco décadas, a Ilha deixou de ser um bairro com 100 mil habitantes para se tornar uma região densamente ocupada. São muitas indústrias, um forte comércio, e quase 300 mil habitantes convivendo ao lado de um dos maiores aeroportos do país. A Ilha é gigante ajudar no potencial de desenvolvimento da própria cidade.
Atualizar as rotas internas de ônibus e garantir uma linha de barcas regular, funcionando o dia inteiro, com viagens de hora em hora, não é sonho — é necessidade. Urgente!
A Ilha e os desafios
Sufocado pelas motos
Expectativas e Desafios