Opinião

Opinião – José Richard

Pichação e Vandalismo


12/12/2025 - Edição 2280

As pichações que tomam fachadas de prédios comerciais e residências, ultrapassam qualquer limite de tolerância. Não se trata apenas de um problema estético — ainda que a agressão visual seja evidente —, mas de uma violação direta ao patrimônio e à segurança dos moradores.

Os pichadores, agindo de forma furtiva, sobretudo durante a madrugada, escalam muros, invadem áreas privadas e colocam em risco a integridade de quem apenas deseja descansar em paz dentro de sua própria casa. É inadmissível que famílias que lutaram a vida inteira para conquistar seu imóvel precisem agora conviver com a sensação constante de vulnerabilidade.

A dificuldade das forças de segurança em identificar esses infratores não pode continuar servindo de desculpa para a ausência de políticas efetivas e de leis mais severas. A Ilha do Governador cresce, se desenvolve, atrai novos empreendimentos e investimentos — mas permanece refém de ações que desfiguram seu tecido urbano e corroem a qualidade de vida. Pontes, viadutos e passarelas, símbolos da infraestrutura local, também sofrem com rabiscos grotescos que apagam sua beleza arquitetônica e geram gastos permanentes para limpeza e recuperação.

Outro problema igualmente grave é o uso indevido de muros como suporte para anúncios comerciais. Longe de serem intervenções artísticas, tratam-se de pinturas ilegais transformadas em “outdoors improvisados”, disputados por lojas e prestadores de serviço que se aproveitam da localização estratégica nas ruas para promover seus produtos. Essa prática, além de ilegal, provoca a degradação urbana e contribui para a sensação de abandono.

O resultado é um cenário onde o espaço público e o privado são igualmente violados, e onde o direito coletivo ao ordenamento urbano cede lugar à ação irresponsável de vândalos e oportunistas. É urgente que as autoridades coloquem este tema no centro da agenda. A população merece proteção e a garantia de que seu patrimônio — na maioria das vezes fruto de décadas de trabalho — não continuará sendo desvalorizado por atos de puro vandalismo. É hora de uma ação firme em defesa da Ilha do Governador.