Opinião

Opinião – José Richard

Linhas circulares


28/11/2025 - Edição 2278

A mobilidade urbana na Ilha do Governador vive um impasse que já passou da hora de ser enfrentado. O atual sistema de transporte público de passageiros não dialoga com as necessidades reais dos moradores, tampouco acompanha o crescimento dos polos comerciais da região. Falta planejamento e atualizar rotas. O resultado recai, como sempre, sobre o usuário, que depende diariamente de trajetos mal estruturados e conexões desnecessárias.

É difícil compreender como, a Ilha ainda não conta com linhas circulares eficientes que conectem pontos estratégicos como o Ilha Plaza Shopping e o Aeroporto do Galeão. São dois polos de movimento intenso, cada um com enorme fluxo de pessoas, muitas delas moradores de bairros da própria Ilha. O Galeão, em especial, emprega um contingente significativo de insulanos que enfrentam verdadeiras maratonas diárias para chegar ao trabalho, sem uma rota e racional.

Situação semelhante vive o morador da Ribeira, que precisa recorrer a dois ônibus para chegar ao shopping — um percurso interno que deveria ser simples, rápido e integrado. Essa falta de coerência nas linhas evidencia a ausência de um plano que considere a atual dinâmica local. Enquanto isso, a população segue dependente de um sistema engessado, que preserva a rentabilidade das concessionárias do que para garantir mobilidade de qualidade.

O desenvolvimento da Ilha passa, inevitavelmente, por um transporte público moderno, diversificado e interligado. A integração entre ônibus, vans e os populares “cabritinhos” poderia criar uma malha inteligente, capaz de otimizar deslocamentos e reduzir o desgaste diário de quem depende desses serviços.

É urgente revisar as rotas existentes e criar novas linhas que atendam de fato à população, com frota suficiente, horários compatíveis com os momentos de maior demanda e trajetos que façam sentido. Mobilidade não é luxo, é condição básica para a qualidade de vida e para o avanço econômico da região. A Ilha do Governador precisa, de um transporte público à altura da qualidade de vida que os insulanos merecem.