Opinião

Opinião – José Richard

Tempestades


21/11/2025 - Edição 2277

O verão está chegando e o período de temporais se aproxima. Temos que nos prevenir contra os cenários de alagamentos, destruição e prejuízos. Não podemos achar normal que os danos e transtornos da época, se tornem parte da rotina — muito menos que nos acostumemos a eles. Tragédia anunciada não é destino; é consequência da soma de descuidos que insistimos em normalizar.

Episódios recentes mostram e alertam que os impactos vão além da água acumulada. São ruas que viram rios, comércios prejudicados – exemplo: a loja da poderosa Swfft instalada no bairro do Cacuia, há poucos meses foi tomada pelas águas da rua que alagou, gerando prejuízos enormes com a perda total dos equipamentos e estoque. Resultado: a empresa demitiu todos funcionários e fechou as portas na Ilha.

É impossível ignorar, que bueiros entupidos, drenagens sem manutenção, escoamentos obstruídos, falta de poda ou podas inadequadas de árvores gigantes e descarte irregular de lixo funcionam como gatilhos silenciosos para o caos. Quando o temporal chega, ele apenas revela o que a rotina escondeu.

O poder público tem o dever de agir preventivamente: limpar bueiros e canais antes que transbordem, fiscalizar e punir descartes irregulares, realizar podas responsáveis, manter os sistemas de drenagem e investir em infraestrutura que acompanhe o crescimento da região.

Mas nós, população insulana, também carregamos responsabilidades. Cada saco de lixo deixado fora do horário, cada entulho abandonado na calçada, cada denúncia de irregularidades que deixamos de fazer, alimenta o problema que gera danos e situações irreversíveis.

As chuvas virão — isso é inevitável. O meio ambiente do planeta está ferido e tem reagido pelo mundo afora de modo repentino, com tufões e chuvas intensas. Em minutos a chance de devastação se torna real e assusta.  É só lembrar o que têm acontecido no sul do país. Não tem jeito. Vamos nos prevenir. A prevenção é um compromisso de todos nós, juntos e cobrando a parceria do poder público.

Temos que agir para proteger o lugar que chamamos de nossa Ilha.