11/07/2025 - Edição 2258
A Ilha do Governador, com seus quase 300 mil habitantes e uma rotina urbana intensa, enfrenta um problema crônico que afeta diretamente a qualidade de vida de seus moradores: a total ausência de fiscalização em diversos setores do cotidiano. Esse vácuo de autoridade, infelizmente, tem estimulado um cenário de desrespeito às leis e sentimento de impunidade, que se agrava dia após dia.
Atualmente, um dos casos mais emblemáticos é a maneira como muitos motociclistas circulam pelas ruas da região. Sem qualquer temor de punição, é comum vê-los transitando pela contramão, sobre calçadas e até promovendo exibições noturnas barulhentas, verdadeiros “shows” de imprudência que tiram o sono dos moradores. Trabalhadores, estudantes, idosos e famílias inteiras são obrigados a conviver com o barulho dos escapamentos alterados, em plena madrugada, sem que nenhuma autoridade apareça para coibir os abusos.
Outro retrato gerado pela ausência de ordem pública está nas imediações do supermercado Mundial, onde vans simplesmente estacionam no ponto do ônibus à espera de passageiros, travando o trânsito e prejudicando o embarque e desembarque de ônibus. A situação coloca em risco a segurança de pedestres e passageiros, que precisam se arriscar entre veículos em movimento para acessar o transporte público. O cenário é diário e, apesar das constantes reclamações, não se vê qualquer agente público fiscalizando.
A atuação desenfreada de flanelinhas também tem gerado revolta. Sem nenhuma regulamentação, alguns desses “cuidadores de carro” se espalham pelas principais vias da Ilha cobrando por vagas muitas vezes em espaços sobre calçadas ou em áreas proibidas. O motorista é pressionado a pagar, mesmo sabendo que o estacionamento é ilegal e sujeito a reboque. Sem recibos, sem garantia, sem controle. E, mais uma vez, sem fiscalização.
A ausência de fiscais não apenas permite, mas estimula o avanço dos abusos. Quando o poder público se omite, o que se impõe é a lei do mais esperto, em que o cidadão de bem é forçado a conviver com a insegurança, o barulho, o caos no trânsito e a exploração disfarçada de serviços.
A Ilha do Governador precisa da presença ativa de fiscais com autoridade de atuar na ordem pública de modo geral. É necessário proteger os direitos dos cidadãos e resgatar a dignidade de quem quer apenas viver seguro e em paz nas ruas. Temos leis para quase tudo, mas a inexistência generalizada da fiscalização estimula a ação dos que se divertem ou ganham com a desordem.