Notícias

Ilha vive semana de tensão e tiroteio

PM e Polícia Civil fazem operação e bandidos incendeiam ônibus


22/08/2025 - Edição 2264

A Ilha do Governador viveu uma semana marcada pela tensão e pelo medo. Em apenas três dias, dois episódios distintos trouxeram insegurança aos moradores: uma megaoperação da Polícia Militar no Morro do Dendê, na segunda-feira (18), que resultou em ônibus incendiados, vias bloqueadas e troca de tiros, e, dois dias depois, a ação da Polícia Civil contra um esquema de estelionato conhecido como “golpe do falso advogado”, que também teve confronto armado na comunidade. 

Na manhã de segunda, criminosos reagiram à incursão do 17º BPM com apoio do 22º BPM e do 3º BPM. Logo no início da operação, uma granada foi lançada contra os agentes, e um intenso tiroteio tomou conta do Dendê. Bandidos interceptaram coletivos e obrigaram motoristas a atravessá-los nas ruas da Estrada da Cacuia e da Avenida Paranapuan, formando barricadas que afetaram o trânsito. Ao todo, 12 ônibus foram tomados, um deles incendiado.  Até caçambas de lixo foram utilizadas para alimentar o clima de destruição. “Mandaram atravessar o carro e pegaram a chave”, relatou um motorista que teve seu ônibus tomado. 

A operação resultou na prisão de quatro suspeitos e na apreensão de quatro fuzis. Outras seis pessoas foram detidas no entorno da comunidade com paus e pedras, suspeitas de planejar novos ataques a coletivos. O tiroteio levou à suspensão de atividades externas em quatro unidades de saúde, e ao desvio de 19 linhas de ônibus que atendem a região.  

Quando o clima parecia se acalmar, a quarta-feira (20) trouxe nova tensão. Policiais civis do DGPC voltaram ao Dendê para cumprir mandados da Operação Lex Falsa, contra um grupo que aplicava o golpe do falso advogado. A ação foi realizada em conjunto com a Polícia Civil de Santa Catarina e, mais uma vez, houve troca de tiros durante a entrada dos agentes na comunidade. Três criminosos foram presos.  

Entre os detidos está Vinicius Souza da Silva, 22 anos, morador da Estrada do Dendê. Segundo a investigação, ele usava documentos verdadeiros e falsificados para enganar vítimas e induzi-las a pagar custas judiciais inexistentes.  

As duas operações em sequência deixaram a Ilha em clima de alerta. Ruas foram esvaziadas, serviços interrompidos e moradores relataram dificuldades para seguir a rotina. 

— Na segunda eu estava indo para o meu trabalho no Ilha Plaza Shopping quando fui surpreendido por pessoas gritando e mandando descer. Por sorte, consegui sair antes de o ônibus ser incendiado. Foi muito tenso - contou um passageiro que viveu o episódio de perto.