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Delegacia investiga caso de racismo

Matheus foi agredido por policiais a paisana em abordagem no shopping


14/08/2020 - Edição 2002

Matheus e o pai com o relógio que foi presenteado
Matheus e o pai com o relógio que foi presenteado

O caso do jovem entregador Matheus Fernandes, de 18 anos, que foi agredido no Ilha Plaza Shopping por dois homens identificados pela polícia como policiais militares, está sendo investigado pelo delegado da 37ªDP, Marcus Henrique, como crime de racismo. As agressões ocorreram na quinta-feira (6), quando Matheus ia trocar um relógio que havia comprado para o Dia dos Pais, na loja Renner.

Durante toda a semana, as partes envolvidas na investigação prestaram depoimentos. Matheus foi o primeiro a ser ouvido e afirmou que na hora que foi abordado ter tentado de todas as formas se identificar para os policiais à paisana, mas não conseguiu. Os homens, então, o arrastaram da loja para uma escada de emergência do shopping e lá o agrediram. De acordo com o delegado, as imagens das câmeras de segurança são claras e é possível notar que foi uma abordagem inadequada e truculenta.

— Houve ali um erro de avaliação e eles responderão penalmente. A Polícia Civil não muda a sua convicção. O meu entendimento é que ele foi abordado porque ele é negro, então estamos investigando como crime de racismo e de abuso de autoridade — afirmou o delegado.

Os policiais foram identificados como Diego da Silva, soldado do Batalhão de Choque e Gabriel Izaú, sargento lotado no programa Segurança Presente. Eles também prestaram depoimentos e, segundo o delegado, negaram que tenham cometido ato de racismo e ainda afirmaram que a abordagem foi feita pelo fato de Matheus usar um boné que fazia referências ao tráfico da região.

O jovem Matheus afirmou que não vê a hora de tudo isso passar e a justiça ser feita. “Foi tudo muito triste. Eu não queria ter passado por isso. É uma situação constrangedora. Agora que já identificaram os homens que me agrediram, acredito que vai ficar tudo bem”.

Delegado Marcus Henrique: o crime é de racismo

O gerente de segurança do shopping afirmou que os homens que aparecem no vídeo não prestam serviços de segurança para o shopping, mas sim a uma assessoria na área de inteligência. A Renner, em nota, informou que repudia as agressões e que entrou em contato com Matheus para prestar apoio. Já o Ilha Plaza Shopping disse que qualquer abordagem de violência é injustificável e, mesmo antes da total apuração dos fatos, já afastou a empresa de consultoria de segurança contratada. O shopping informou ainda que pretende adotar medidas para contribuir contra o racismo, em uma luta que é de toda sociedade.