27/03/2026 - Edição 2295
O que grandes empresas fazem e por que isso sempre funcionou: O ponto central não está na existência dessas ferramentas, mas na forma como são utilizadas. Grandes empresas tratam o planejamento tributário como um processo contínuo, integrado à gestão financeira e suportado por análise técnica constante. Não se trata de encontrar brechas. Trata-se de tomar decisões estruturais considerando o impacto tributário desde o início.
Pequenas empresas sempre tiveram espaço, mas raramente exploraram: Para pequenas e médias empresas, o cenário sempre foi diferente. O foco em simplicidade operacional, aliado ao receio de aumentar custos contábeis ou assumir riscos fiscais, fez com que o planejamento tributário fosse deixado em segundo plano. Ainda assim, mesmo dentro do Simples Nacional, existem decisões que impactam diretamente a carga tributária. A segregação correta de receitas, especialmente em atividades sujeitas à tributação monofásica ou substituição tributária, pode evitar pagamento indevido de impostos.
A Reforma Tributária muda o jogo, mas não elimina a estratégia: Existe uma percepção crescente de que a Reforma Tributária vai simplificar o sistema a ponto de reduzir ou até eliminar a necessidade de planejamento tributário. Essa leitura ignora a mudança mais importante que está acontecendo. A substituição de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins por um modelo baseado em IBS e CBS desloca o foco da tributação. A lógica deixa de estar concentrada no regime e passa a dialogar diretamente com a estrutura da operação.
Onde passa a estar a nova estratégia tributária: No novo sistema, a estratégia não desaparece. Ela se desloca para pontos mais sensíveis do negócio. A gestão de créditos passa a ser central. Empresas que conseguirem capturar corretamente os créditos gerados ao longo da operação terão vantagem direta na formação de margem. A escolha de fornecedores também ganha nova relevância. Além disso, a transição entre os sistemas exige atenção especial. Empresas que acumulam créditos de ICMS precisarão gerenciar esses ativos ao longo dos próximos anos. Sem estratégia, esses créditos podem se transformar em impacto negativo no fluxo de caixa.
O que muda para empresas do Simples Nacional: A reforma mantém o Simples Nacional, mas altera sua dinâmica dentro da cadeia econômica. No novo modelo, empresas que geram crédito tributário completo se tornam mais atrativas para clientes B2B. Como o Simples não permite esse aproveitamento integral, pode surgir uma perda de competitividade em determinadas relações comerciais. Por isso, passa a existir a possibilidade de um modelo híbrido, em que a empresa permanece no Simples, mas opta por destacar IBS e CBS fora do regime para gerar crédito ao cliente.
Texto de André Borges, diretor da Huma Contabilidade. Para mais informações sobre o conteúdo ligar: 99366-0635.
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