31/07/2026 - Edição 2313
O sonho de criar um museu dedicado à história da Ilha do Governador ganhou novo impulso com o avanço do trabalho realizado pelo Centro de Referência Histórica da Ilha. Instalado provisoriamente em uma sala da Subprefeitura da Ilha, o espaço reúne cerca de 700 itens museológicos já catalogados, além de aproximadamente 3 mil periódicos, entre jornais, revistas, fotografias, documentos e objetos históricos que contam a trajetória da região. O Ilha Notícias visitou o local na quinta-feira (30) junto com o coordenador Caio Tenório e acompanhou o trabalho desenvolvido desde 2024.
Entre as peças preservadas está a placa original da inauguração do Centro de Referência Histórica, em 9 de setembro de 1999, quando o projeto passou a funcionar na Biblioteca Euclides da Cunha. Durante anos, o acervo foi cuidado pelos voluntários Domênico Avellar e Deolinda Avellar, e se consolidou como importante fonte de pesquisa sobre a Ilha. Também fazem parte da coleção edições históricas do Ilha Notícias, além de materiais arqueológicos, obras de arte e documentos considerados raros.
Hoje, cerca de 90% do acervo já passou pelo processo de inventário, etapa exigida pela Secretaria Municipal de Cultura para que o projeto avance em busca de um espaço definitivo. Segundo um dos coordenadores do Centro de Referência Histórica, o professor de História pela UFRJ e mestrando da UFF, Caio Tenório Freire, o objetivo é transformar o acervo em um museu aberto à população.
— O Centro de Referência nunca foi o destino final. Ele é a base para um museu da Ilha, um espaço vivo, onde a comunidade possa pesquisar, estudar, participar de atividades e preservar sua própria memória. O museu precisa ser um lugar de convivência e de identidade para a população – afirma Caio.
Além do inventário, os voluntários trabalham na recuperação e preservação de peças que poderiam ter sido perdidas, como tijolos históricos do século XIX, objetos arqueológicos e documentos que registram momentos importantes da história insulana. A expectativa do grupo é conquistar um imóvel próprio para abrigar definitivamente o museu e ampliar o acesso do público ao patrimônio histórico da Ilha do Governador.
Segundo Caio Tenório Freire, com a implantação do programa Bibliotecas do Amanhã e a gestão do Sesc na Biblioteca Euclides da Cunha, o acervo deixou o espaço. De acordo com ele, a instituição informou que não assumiria a guarda do material, levando à transferência para uma sala da Subprefeitura da Ilha, onde permanece atualmente. Em nota, o Sesc Rio informou que a transferência do acervo foi uma decisão da prefeitura quando assumiu a gestão da Biblioteca Euclides da Cunha.