24/04/2026 - Edição 2299
No mês de abril lembramos com carinho os povos nativos de várias regiões brasileiras. São mais de 300 culturas, contudo, hoje são menos de 1% da população, segundo o IBGE. Evidente que o termo “índio” já é rejeitado por historiadores, por ser uma palavra equivocada, genérica, que não respeita a identidade cultural dos povos nativos. Ainda é utilizado o termo “indígena” por ainda ser associado a esses povos originários, sendo visto como pertencimento a essa ancestralidade. Mas é evidente que a melhor forma de os chamar é por seus nomes: Tamoios, Temiminós...
Em nossa Ilha é clara a presença dos povos indígenas, pois temos diversos nomes de ruas e praças com palavras tupis, nomes de alguns bairros também (Cacuia, Cocotá, Zumbi, Tauá...), logo podemos entender que nosso passado foi e ainda é fortemente marcado por esses povos.
Através de estudos arqueológicos muitos sinais desses povos já foram encontrados em diversos espaços da Ilha e até hoje podemos achar vestígios de povos Sambaquis, bem anterior à chegada dos primeiros Tupis.
Com a chegada dos europeus, as populações nativas sofreram muito com os choques culturais, mesmo inicialmente havendo um encontro cordial, todavia, eles foram explorados, usurpados, escravizados, tiveram seus costumes criticados e colocados no esquecimento, sua fé foi silenciada, milhares morreram por conflitos, doenças e pela exploração. E todas essas situações também ocorreram em nossa Ilha.
Aqui moraram povos Temiminós e Tamoios, os quais residiam em áreas da Ilha próximas a fontes de água. Segundo o pesquisador insulano Caio Tenório: “os Temiminós têm muitas semelhanças com a organização social dos Tupinambás como na língua, costumes, indumentária e outros elementos culturais”. Eles foram expulsos da Ilha para o Espírito Santo e até tentaram retornar com o apoio dado aos portugueses para combater os franceses durante a chamada França Antártica (1555-1567). Mesmo com a vitória, os Temiminós, chefiados por Araribóia, acabaram indo para outra região fundando a atual cidade de Niterói.
Os nativos que continuaram a viver aqui na Ilha passaram a se misturar com o povo local, atuando como pescadores caiçaras, na agricultura, criação de animais, dentre outros ofícios. A antiga Ilha de Paranapuã, dos Maracajás e do Gato tem muitas histórias antes de ser “do Governador”. O ensino dessa história indígena na nossa região é essencial, sejam em escolas, colégios, igrejas, clubes e em outros espaços.
O projeto do Museu da Ilha do Governador (@museudailhadogovernador) vem também com essa missão. O Rolé da Ilha (@roledailha8) busca visitar escolas com palestras e oficinas, além de realizar passeios pedagógicos por áreas históricas da Ilha.